segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Tu.

Chegou o momento da verdade. A farsa tem de acabar. Tens de ganhar coragem e ser. Ser maior, ser mais tu. Chegou o tempo de mudar. Sê quem és. Revela-te. As cortinas vão subir. 10 segundos, gritam dos bastidores. Olhas-me de relance e a música começa. As cortinas são puxadas lentamente pelos dois figurantes que participaram na peça anterior. Lembra-te, isto não é para ser uma peça de teatro. Por favor, lembra-te que combinamos que ias contar a verdade. Sorriso falso na cara e o público aplaude. Soam rumores da plateia, está linda, aquele vestido é extraordinário, linda. Sorriso verdadeiro e cantas, acompanhando a balada comandada pelo maestro que veste o fato armani preto. A música acaba e faz-se um silêncio constrangedor. Fala, vá, fala, digo-te dos bastidores quando viras a cara para mim. Vejo o público, tenta perceber para quem olhas. A cortina esconde-me, apenas tu vês-me. Olhas o público e pedes que diminuam a intensidade do foco de luz que aponta unicamente para ti. Estás sozinha em palco, és o centro das atenções. Na periferia deste, bancos de madeira. Antigos, sujos e riscados. Pertences da outra peça, tentam agora preencher um pouco do palco para ti. A tua voz rouca soa baixo. Peço que aumentem o volume do microfone, aprendi que isso é possível em palco. Estás a contar a tua história, a tua verdade. Na voz sente-se o medo da rejeição. Nos gestos, o nervoso de falar para tantas pessoas, como sempre tiveste. Mas nos olhos, oh, nesses há o brilho por te libertares de um peso tão grande. A farsa tinha de acabar, combinamos isso. Olho para ti, estás radiante nesse vestido de cetim rosa. Parece que flutuas sobre a madeira velha do palco. Sai de ti uma liberdade que parece atingir o público. 10minutos e o silêncio volta. Voltas costas, com as lágrimas no rosto, e caminhas na minha direcção. Dou a cara, e abraço-te, no meio do palco. Bravo, que coragem. Uma jovem adolescente coloca-se de pé e começa a aplaudir. Seguida dela, pouco a pouco, toda a plateia se levanta aplaudindo-te. Largo-te a mão, suavemente, e deixo-te. É para ti, que tiveste coragem e não desististe. Mereces. Parabéns. Podes sair do palco mas acho que deves aproveitar este momento.

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