É difícil ser eu. É difícil ser como eu. Tenho essa plena noção. E não, não sou convencida. Mas é difícil esta solidariedade com os amigos. É difícil não controlar a confiança. É difícil entregar todo o corpo quando nem de mãos dadas devia andar com maior parte das pessoas. É difícil. E é difícil ser meu amigo. Não aqueles amigos banais que não sei se devemos chamar de amigos mas que eu chamo porque os considero. Mas, quem me quer conhecer no todo, na integra, é difícil. Aceitar as minhas mudanças de humor, aceitar cada paranóia minha, é difiícil. Difícil aceitar e difícil de conhecer. Não, eu confio facilmente. Entrego facilmente a minha vida a uma pessoa. E deixo que essa pessoa me entregue a dela. Mas não me dou a conhecer, dou a conhecer a minha vida. E dou a conhecer o meu lado sorridente, o meu lado suave. Aquela que ouve os problemas, venha quem vier, sejam quais forem, ouço tudo. E pouco falo, mas falo o mais importante, o mais meu, e é difícil. Difícil confiar a vida a uma pessoa, por a mão no fogo por alguém. É difícil mas eu faço-o e nunca sou recompensada. Sou sempre que quem sai a perder nos amigos. Não quero que me achem convencida, e se me acharem, temos pena. Mas é, realmente, assim que eu sou. Ponho os problemas para trás das costas e aguento, aguento, aguento. Até que um dia rebento. E o mal disto tudo? Rebendo sempre com a mesma pessoa. A única que tenho na minha vida com quem posso rebentar sempre sem que me largue a mão e me vire costas. É difícil ser eu. É difícil que entrem na minha vida, como só uma pessoa entrou. É muito difícil e há um medo. Perder tudo isso. Porque há coisas que são comuns na vida. E perder pessoas (não morrerem, claro) é algo comum comigo. Desculpem, é difícil ser como eu.
Talvez pareça um pouco irreal mas acredita que ainda ontem pensei nisso. Porque eu tal como tu não me abro para todas as pessoas, não desabafo com todos os meus amigos e tenho plena noção que poucos são os que me conhecem verdadeiramente. Simplesmente porque eu não me abro com toda a gente aliás só existe uma pessoa com a qual isso acontece quase de forma natural e talvez por isso a única capaz de me dizer: 'paula estás errada...devias pensar melhor, talvez eles tenham razão' E eu aceitá-lo porque é ele, e conhece-me, e sabe-me e não aponta o dedo a tudo o que é fora da normalidade como ainda acontece a algumas pessoas que ainda antes de tentarem compreender já estão a dizer 'ERRADO' ou 'porque é que és assim, corrige, muda'.
ResponderEliminarE por isso é difícil ser eu, aguentar com as minhas crises ainda muitas vezes sozinha com a folha de papel e a caneta. Mas sabes vale a pena, porque mesmo que volte a ter de desabafar apenas comigo mesma valeu a pena só pelas toneladas que tirei de cima só por me partilhar com outra pessoa e mesmo que por qualquer motivo o perca, talvez com o tempo ele e esqueça e eu o esqueça é natural mas não é isso que vai impedir o que já aconteceu é que marcou irremediavelmente a minha pessoa e só isso já valeu a pena.