No palco, sozinha. Mais uma vez. As luzes apontam para ti. Toda a madeira está escura. Só tu e o público. Mas as luzes ofuscam-te. Não vês a cara das pessoas, apenas a silhueta dos seus corpos nas cadeiras. Cadeiras vermelhas e velhas, do velho teatro de sempre. Onde tu actuas, onde tu representas sozinha, sempre sozinha. Deixam-te, no último momento. Querem-te ver brilhar e descem as escadas, castanhas, escuras e partidas e sentam-se nas velhas cadeiras da primeira fila. Estão sempre reservados para eles. Chegou a tua vez. Sê, mais uma vez, brilhante. Chora fingindo e solta gargalhadas, no momento certo da peça. Finge, sendo verdadeira. É a tua vida, a tua alma, o teu corpo que estão em palco. São duas horas de puro divertimento. Só tu e as luzes com as quais tens de brincar. Sê, brilha. Força, eu estou na primeira fila. Preparada para aplaudir mais uma fantástica reviravolta.
a tua escrita tem melhorado tanto, que tu não tens noção. ;)
ResponderEliminarbeijinho*