sábado, 19 de janeiro de 2013

IX (parte 2)



(...) Estou despida de medos, despida de sonhos. Deixo que a verdade me atinja, quero ser derrotada. Desejo cair no chão e tentar perceber quem me vem ajudar. Preciso reconhecer as minhas fraquezas e os meus melhores poderes. Assumir erros, eu sei fazê-lo. Mas preciso parar de assumir erros de outros. Sou só eu, não posso controlar as situações dos outros, é um pecado imoral. Quero um término. Um ponto final e um parágrafo. Um parágrafo sem amor. Uma coisa simples, daqueles parágrafos que todos vivem. Uma história sem príncipes e sapos. Uma história de uma rapariga e os amigos, os verdadeiros. Somente isso. Uma aventura ao ar livre, um salto para o crescer de amizades. Sem dores, contratempos ou desilusões. Sorrisos, abraços e apoios. É só o que eu quero, só o que eu preciso. Não dos que sorriem para mim na rua. Apenas dos que entendem o meu silêncio. Dos que chegam, sentam e não falam, apenas ficam comigo no silêncio de uma noite fria. Um confusão de palavras que denuncia a confusão de sentimentos. Uma dor na escrita que denuncia uma dor na alma. É tudo singelo, tudo minuciosamente pensado e não escrito. Um erro ortográfico ou um erro matemático. É denunciado numa linha vermelha. Um corte no coração, quem o denuncia? Quem o corrige? Ninguém, a não ser eu. Sou a médica das paixões incompreendidas. Das minhas paixões agridoces que não deviam existir. E hoje, eu só peço uma aventura. Um novo ar para respirar, um sonho para realizar. Um medo para ultrapassar. Preciso que não acabem com o que eu não consigo sequer começar. Chegou a altura de eu superar, de eu vencer. O vento toca-me o rosto, uma nova brisa. O cabelo voa delicadamente e eu fujo do passado. Preciso da linha para coser o coração. Quero uma linha verde, de qualquer das maneiras a marca vai sempre lá ficar. Pelo menos fica ao meu gosto. E depois uso essa linha para a minha boca. Vou calar os sentimentos. Vou voltar e não me apaixonar. Usar este novo eu. A lágrima prestes a cair, está presa pela promessa. Pelo juramento de não chorar. Não lhe vou tocar, não vou deixar que me toquem. É altura de eu superar. De cumprir o que com simples palavras prometo. É altura de ser eu, ser mais eu. Altura de me reconhecer. De não parar mais, de não olhar o passado e perceber que tudo o que gostei, partiu. Altura de andar sempre, sem correr. De não olhar o futuro, apenas viver o presente.

1 comentário:

  1. pois é, acho que nunca se consegue descrever nada que não se conhece realmente. foi só uma suposição, embora me tenha tentado pôr no lugar da personagem. quanto ao blog, era o meu canto, mudei-lhe o aspecto e o nome, deve ser o suficiente para não trazer tantas recordações.

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