Gosto de dizer quem sou. Todos nos devíamos dar a esse direito: dizer quem somos. Mesmo que ainda não saiba quem sou. Mesmo que o mundo ainda dê voltas e eu me sinta perdida, gosto de dizer quem sou. Gosto de salientar que Luísa tem um i com acento, ainda que também eu o esqueça entre os outros nomes. Todos devemos, por obrigação, dizer o nosso nome, correctamente. Todos temos esse direito. Gosto de dizer quem sou, ainda que diga só o nome correctamente.
Ouço vozes que me fazem entrar num estado monótono. Levam-me a uma tristeza profunda de crescimento. Gosto de dizer quem sou. Mas afinal, quem sou na realidade? Cresci e continuo sem saber quem sou. Sei apenas que Luísa tem um i com acento. Sei, segundo crenças em quais não acredito, que o meu segundo nome me define mas não gosto dele. E isso leva-me à conclusão que não gostarei também de mim. Será? Ainda assim, gosto de dizer quem sou. Que o riso é o meu mundo, que a alegria é a minha força e que o amor é o meu combustível. Ainda não sei quem sou, mas sei como me escrevo. Gosto de dizer quem sou mesmo que só saiba como se escreve, correctamente, o meu nome. Esse é quem eu sou, para já, enquanto não me defino. Nessas crenças que não me alimentam o ser, o nome é quem eu sou. Mas eu sei que sou mais do que isso, sou mais do que um nome bem escrito. Ainda não sei quem sou. É uma tarefa árdua, encontrar-me neste mundo. Mas gosto de dizer quem sou. Luísa, com acento no i, obrigada.
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