Óh amor, tu que vieste para ficar, vai. Vai para longe. Vai com as sombras que as árvores provocam. Vai, desaparece. Tu, amor, que vieste com tudo. Tu que trouxeste a bagagem completa contigo. Vai amor, deixa-te ir com tudo o que se mexe. Mas não fiques comigo. Tu, amor, que te acomodaste no quarto pequenino e o fizeste grande. Transforma-o em pequeno, novamente. E vai, deixa nada nele. Leva tudo que trouxeste. Tu, amor, leva os sorrisos, as lágrimas, as gargalhadas, as mãos dadas, as promessas e os medos. Vai amor, vai e deixa as malas numa outra pessoa. Leva os sorrisos e coloca-os noutro rosto, leva a felicidade e deposita-a noutro coração. Deixa-me, amor. Deixa-me aqui, comigo e só comigo. Só eu e o quarto pequenino. Leva as malas e deixa-te ir com o Sol. Deixa-te ir com as gotas de chuva ou com o ladrar dos cães. Mas não fiques. Tu, amor, que pretendes de mim o que eu não te posso dar. Leva-te e leva-o. Leva-o contigo amor. Porque tu és dele. Se tu fores, amor, ele irá também. Então vai, leva-o na mala verde que é a maior que tens. Fecha-a com o cadeado que te dei quando o entreguei a ti, amor. Vai, deixa-me. Lembraste de como me encontraste quando chegaste com os passos apressados? Eu estava bem. Então, amor, eu fico bem novamente. Mas leva-o. Para longe. Tu, amor, que chegaste e me iluminaste os dias. Tu que me tornaste mais alegre e confiante. Tu que me modificaste o quarto e o fizeste um lugar mas bonito, mais calmo. Tu amor, que me ensinaste o brilho no olhar e as borboletas no estomago. Tu, amor, está na hora de partires. E o levares. Se ele quiser, vai, amor. Parte.
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