domingo, 8 de janeiro de 2012

Amor III

Óh amor, tu que vieste para ficar, vai. Vai para longe. Vai com as sombras que as árvores provocam. Vai, desaparece. Tu, amor, que vieste com tudo. Tu que trouxeste a bagagem completa contigo. Vai amor, deixa-te ir com tudo o que se mexe. Mas não fiques comigo. Tu, amor, que te acomodaste no quarto pequenino e o fizeste grande. Transforma-o em pequeno, novamente. E vai, deixa nada nele. Leva tudo que trouxeste. Tu, amor, leva os sorrisos, as lágrimas, as gargalhadas, as mãos dadas, as promessas e os medos. Vai amor, vai e deixa as malas numa outra pessoa. Leva os sorrisos e coloca-os noutro rosto, leva a felicidade e deposita-a noutro coração. Deixa-me, amor. Deixa-me aqui, comigo e só comigo. Só eu e o quarto pequenino. Leva as malas e deixa-te ir com o Sol. Deixa-te ir com as gotas de chuva ou com o ladrar dos cães. Mas não fiques. Tu, amor, que pretendes de mim o que eu não te posso dar. Leva-te e leva-o. Leva-o contigo amor. Porque tu és dele. Se tu fores, amor, ele irá também. Então vai, leva-o na mala verde que é a maior que tens. Fecha-a com o cadeado que te dei quando o entreguei a ti, amor. Vai, deixa-me. Lembraste de como me encontraste quando chegaste com os passos apressados? Eu estava bem. Então, amor, eu fico bem novamente. Mas leva-o. Para longe. Tu, amor, que chegaste e me iluminaste os dias. Tu que me tornaste mais alegre e confiante. Tu que me modificaste o quarto e o fizeste um lugar mas bonito, mais calmo. Tu amor, que me ensinaste o brilho no olhar e as borboletas no estomago. Tu, amor, está na hora de partires. E o levares. Se ele quiser, vai, amor. Parte.

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