E se por acaso, de súbito, surgisse, no teu pensamento, a ideia de te suicidares? Se, aos poucos, planeasses, inconscientemente, a forma como ias por fim à tua vida? E se, por acaso, decidisses tu onde e como seria o teu ultimo suspiro, o teu ultimo choro, a tua ultima alegria? Se tu, inconscientemente, guardasses numa caixa preta todos os objectos necessários para tua morte? Se desses cada passo em frente e devagar, bem devagar, para o abismo que podia não ser um abismo? Já imaginaste? Teres a decisão de como terminar algo tão belo como a vida? Uma corda, uma pistola, um liquido ou um pó. Tens tantas opções e, inconscientemente, demoras tempo a decidir qual a menos dolorosa. Menos dolorosa para ti. A dor dos outros, essa não te incomoda. Não pensas o que os outros guardam nos seus quartos. Não te surge, no pensamento, quais recordações os outros têm tuas. O quanto eles gostam de ti e o quanto podem odiar a ideia de usares uma corda, uma pistola, um liquido ou um pó. Inconscientemente, tomas uma decisão e guardas também na caixa preta do teu quarto. Escreves uma carta há muito tempo, sem perceberes, de despedida. Despedes-te de alguém em especial que não sabes quem é. Mas despedes-te de todos também, de todos e tudo. Insconcientemente, sorris quando escreves o último adeus. Esses "inconscientemente's" todos são sinal que, na tua vida, algo não está bem. Sinais que és fraco e que preferes fazer sofrer. Cobardia. Esse pensamento é, conscientemente, cobardia. Colocas a caixa debaixo do braço, caminhas em direcção ao lugar, minuciosamente, escolhido e começas todo o plano. Adeus, gosto muito de vocês. É assim que, caindo no chão, te despedes da vida.
Devo ficar assustada com isto?=O
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