terça-feira, 30 de agosto de 2011

Escrita, obrigada.

Não é dramatismo em excesso. Não é querer que me falem docemente. Muito menos desejo pena e compaixão das pessoas. É um estado de espirito. Um estado de espirito mau. Tentativas falhadas. Podia esconder mas não ajudaria. E eu não quero que ofereçam ajuda. Não, não sou esse tipo de pessoa. Tenho de vencer por mim. Mas também não quero estar sozinha. E é assim que eu estou, sozinha. Mentira. Não estou mas sinto estar. O coração palpita com um simples pensamento. E o pensamento termina com uma simples lágrima. Desejo. Dor. Querer. Luta. Simples mas complicado. Eu desisto deste estado de espirito. Desisto. E como o faço? Escrevo. Escrevendo sobre ele, ele vai embora, feliz. E eu fico, não feliz mas também não triste. Fico, apenas. Então, o coração vira palavras. A tristeza vira escrita. E as mãos viram máquina de escrever. Não há sentido mas há sentimento. Dizem que disso se fazem bons textos. Soltam-se. Tristes lágrimas terminam nas folhas riscadas. Doces sorrisos parecem surgir no coração. Mas estão ainda timidos. A tristeza sempre soube ser superior. Sempre foi ela quem vestiu os compridos vestidos de seda e quem, aos domingos, repousava no sofá verde da sala de estar. Os sorrisos sempre foram mais frágeis, sempre se deixaram vencer. Eles não tinham um dia de folga, trabalhavam dia e noite, fizesse Sol ou chuva. Mas eles espreitam no parapeito, parecem querer aparecer. A tristeza, essa começa a bater as asas. Parece que se decidiu a voar. Não consegue voar toda de uma vez, as asas sempre foram pequenas para todo o corpo. Então, aos poucos ela parece levantar uma leve poeira. Vai, voando, para longe deste coração. O estado de espirito vai mudando. Aos pouquinhos, até porque eu gosto de saborear cada mudança de humor. Porque talvez seja isso, uma mudança de humor. Mas está a passar. É a escrita. É passar para o papel o que o coração não sabia entender. E agora, tudo faz mais sentido. Tudo passa mais facilmente. Falta apenas que a noite acabe. E que o Sol, mesmo não existindo, brilhe. Falta apenas um sorriso sorrindo para mim, o certo, o que "chega para tudo.". Até lá, a tristeza vai voando. E os sorrisos vão espreitando à janela, até que se mostrem totalmente. Até chegar o dia de a abrir e de saltarem, sem medo de quem os apanhará. É, está quase. Obrigada, escrita.

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