Há momentos em que a saudade me consome o corpo e a alma. Momentos em que o corpo descansa e se deixa dominar por algo maior. Quando o noite cai e o silêncio perdura. As saudades invadem. Não sei que sentimento é este. Sei que estou feita em pedaços. Que esta é mais uma noite que passo sem te ver. E que com esta noite passou mais um dia. Ainda que te veja em recortes de memórias, é mais uma noite de saudades tuas. Este lugar no meu peito, vazio, ausente. Não sabe, a saudade, a dor que me causa procurar-te entre os cheiros da almofada, mesmo que nunca te tenhas encostado nela. Talvez a noite seja minha amiga. Talvez a escuridão seja louca mas consciente. Consciente do abraço que dou ao ar na ânsia de te encontrar entre os meus braços. Talvez a fresca brisa me fale de ti. Talvez me conte como tu és, de uma forma que eu ainda não conheça. Mas eu, e talvez a noite não o saiba, conheço-te melhor que a natureza. Eu conheço-te melhor do que me conheço. E então, a escuridão traz-me a saudade.
Ganho tempo em falar-lhe de ti. Porque nunca será tempo perdido quando a questão fores tu. Ganho tempo em escrever-te. Que a noite se alongue, que dure mais do que um dia. Porque falar de ti não tem fim. Escrevo-te escondida para que o teu brilho seja, somente, meu. Escrevo-te para que a saudade te traga a mim e para que a noite seja curta e traga um novo dia. Porque talvez amanhã eu te encontre. Ou talvez amanhã me traga só mais uma noite de saudades. Fecho os olhos para que, na altura em que os abrir, me sinta pronta a enfrentar mais um desafio sem ti. E para que, no final, esse desafio me dê alento na escuridão de mais uma noite.
Há momentos em que a saudade me consome o corpo e a alma. Mas é a saber que o amor é eterno, que adormeço a sorrir.
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