sexta-feira, 13 de abril de 2012

Sempre nós.

Como se o mundo me morresse, amanhã, nas mãos. Como se me fugisses entre os dedos. Como se todo o suor e todos os gemidos deixassem de fazer sentido. Como se a união dos meus pais perdesse todo o valor. Como se todos os toques dos teus pais perdessem todo o amor. Como se eu fosse nada mais do que eu. Mas eu sou muito mais do que eu. Eu sou nós. Tu e eu. E tu, tu és somente tu. E isso foge-me pelos dedos. Isso corta-me a alma e devasta-me o coração. É como se tudo o que fiz já não existisse. Como se o passado se apagasse. E tu, tu continuasses somente tu. Mas eu, eu sou sempre mais do que só eu. Sou nós, um nós rotativo. Um nós, uns dias mais tu, uns dias menos tu. Mas nunca, nunca uns dias mais eu. Porque o eu morre se fica sozinho. Eu, que raio de sentido isso faz? Nenhum. Não nasci para ser só eu. Porque ser só eu é morrer. E matar-me só para não ter de ser nós, nunca. Prefiro ser sempre, todos os dias, mais tu. Mesmo que isso me leve a uma exaustão profunda. Ainda assim, sempre é melhor ser nós exausta do que morrer. Mais vale não perder o mundo. Mais vale agarrar a alma e fortalecer o coração. Mais vale sarar as tuas feridas e adiar as minhas. Mais vale ser tu. Corrijo, mais vale ser mais tu do que me ver morrer. Mais tu, sempre nós, apesar de não ser um caminho comum. Prefiro ser o teu mar para mergulhares em momentos de tempestade a ser o céu que te vigia nos teus dias de sossego. Nunca eu, nunca morrer. Uns dias mais tu, uns dias menos tu. Mas sempre, sempre nós.

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