É, como eu digo, uma rotina que só eu, ainda, não aprendi. Já devia ter aprendido, já me devia ter habituado. Mas não, por negação, por estupidez ou por, aquilo que eu mais acredito que seja, amor. Por algum motivo não aprendo essa rotina e desculpo sempre. Não deveria estar aqui, neste momento. Não deveria estar sentada neste sofá. Não devia ter as folhas para estudar mesmo ao meu lado e não devia ter esta falta de vontade de estudar. Devia estar num outro lugar. "Sempre vens à vila comigo?". Devia ir. "Eu posso ir mas fico lá sozinha então não vou.". Devia estar com um outro sorriso. Devia estar feliz. Eu estou feliz. Mas devia estar com uma outra alegria. Devia ter uma outra cor. Mas isto é já uma rotina. Às vezes deixo a minha cabeça falar. Não é sempre o coração que lança a primeira palavra. Mas sabem, ele acaba sempre por fazê-lo e acaba sempre por vencer. Devia ter mantido o 'não', não devia ter acreditado que as saudades se matariam hoje. E a culpa não é de nenhum. A culpa é do universo, que conspira contra mim. Acredito que, por algum motivo, o universo colocou certas pessoas na minha vida e, principalmente, no meu coração. E acredito que, por um motivo ainda mais forte, tenho de deixar essas pessoas partir. E não quero porque isso é matar-me. Mas tu tens de ir, todos têm de ir. Tenho de abrir o coração e deixar-vos livres, para um novo começo. O universo parece não me querer nas vossas vidas. E eu que insisto com ele, que torno tudo numa bagunça e mantenho-me presente. Insisto, teimo, luto e aqui continuo, por enquanto. Mas não é culpa de ninguém, se o universo não me quer perto de ti ou não te quer perto de mim. Não é culpa de ninguém e eu tenho de ensinar isso ao meu coração. Desculpem se vos torno demasiado meus. Vou ensinar ao meu coração a palavra 'sozinho'. Vou mostrar-lhe que vos tenho, sem ter ninguém. Desculpem. Se me apaixonei, calei, errei e magoei não era minha intenção. Eu não deveria estar aqui.
Feliz Natal.
escreves bem*
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