quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Vento.

Hoje eu soube desvendar-te. Tu prendes-te no tempo. Ele voa, corre rápido. Cerras os olhos, abres os braços e deitas-te no tempo. Leva-te para longe. Hoje descobri-te um pouco mais. Estás magoado e ninguém percebe. A ferida é interna, não tem cura. Leva-te o tempo, com as palavras na boca. Não as falas nem as escreves. Descobri-te. E o tempo levou-te. Sempre voas, não é? Nunca acreditaram em ti. Ninguém acreditou e nunca alguém o fará. Eu descobri-te e custa-me saber que te perdi para o tempo. Levaste tudo contigo. Tenho apenas um sofá do qual não posso sair. Levaste-me tudo, até o chão que era a minha maior segurança. Hoje, desvendei muitos dos passos que deste contra a corrente. É tarde mas eu não desisto. Talvez me volte a levantar. Talvez o sólido, forte e verde chão, feito de pétalas de rosas, volte. Talvez voltes. Deixa o tempo, solta-te. Para quê voar, se pisar as poças de água nas ruas da cidade sempre nos soube tão bem? Levaste tudo e agora eu espero-te. Deixaste-me contigo mas sozinha. Não era o certo mas era o melhor. Hoje, descobri o teu maior pensamento que sempre me tentaste dizer. E levaste-te com o tempo. Deixaste-te ir, simples e confortável. Ainda não entendi mas espero que voltes. Dormes sobre as nuvens e viajas pelo céu. Acho que me beijas a testa, nas noites mais quentes e que me recobres o corpo nas noites frias. És tu que voas até mim? Diz-me, devolve-me o chão. Entregaste-te ao vento, fá-lo dançar para mim. Adormece comigo, de novo. Pode ser? Mais uma noite, só mais uma noite nossa.

1 comentário:

  1. =O

    não sei o que é, mas os teus textos andam lindos mulher x)

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