quarta-feira, 30 de novembro de 2011

O diário de um amor.

Vou começar a publicar algumas partes das 35 páginas aqui guardadas. ;)

31/01

Pego numa caneta e numa folha de rascunho. Uso a bolsa e coloco estes dois objectos lá dentro dirigindo-me à porta de saída. Sento-me no banco da paragem e depois de 5 minutos apanho o autocarro e vou ter contigo ao local combinado. Atrasas-te, como o habitual. Pego na folha de papel e na caneta e começo a escrever. Uma frase e risco-a. Outra frase, seguida de mais três e risco-as. Não, não posso aceitar que daqui a pouco te sentes o meu lado a ler isto. Olho para a caneta e peço-lhe para ouvir o coração. Sim, como se a caneta me fosse ouvir. Como se me ouvisse a mim ou ao coração, mas que custa tentar. Volto a coloca-la em posição e ela solta palavras. Espera, estão a fazer sentido, eu reconheço estas palavras. Soltam-se frases naquela simples folha já toda riscada que fazem demasiado sentido. Ouço o barulho das folhas ao serem pisadas, as folhas que nesta época caem das árvores, e olho para trás. Finalmente chegas, cumprimentas-me e sentas-te ao meu lado. A habitual conversa, as formalidades do estás bem, então e novidades? Novidades, queres novidades? Lês este texto por favor? Acabei de o escrever. E então tu começas a lê-lo em voz baixa. Não, lê em voz alta, quero perceber se faz sentido. Começas...

'Sentada neste banco do jardim que viu o 'nós' crescer, não sei se devo falar contigo e mostrar que me magoas a cada passo que dás ou se me devo conter e aceitar os beijos e toques que me dás. Não sei o que é mais correcto, magoar-me ou magoar-te. Tu magoas-me e talvez nem questiones isso e eu estou à tua espera questionando algo que não devia existir. Se me magoar vou ser estúpida, se te magoar vou-me magoar. E então optar por qual? Falar ou calar? Afinal escrever um texto também consegue fazer-nos duvidar. Já não sei, queria que a chuva começasse a cair agora! Queria molhar o rosto para quando chegares não perceberes que chorei enquanto escrevi isto.'

Páras a leitura e olhas para mim, as lágrimas voltaram ao meu rosto. Ficas perplexo e dizes-me que pare. Pedes se podes continuar a ler o texto só para ti e eu deixo. No fim, até tu choravas. Nunca te vi chorar, nunca vi os teus olhos brilhar com lágrimas nele e hoje elas molham-te o rosto como as minhas molham o meu. Encostas a tua cabeça à minha e dizes-me baixinho 'beijinho à esquimó?' e eu, lançando o sorriso de choro, aceno que sim. És o único com quem este beijo se concretiza, e fazemo-lo durante uns minutos. Depois limpas as lágrimas do teu rosto e limpas também as minhas. Dás-me a mão e prometes que nunca me deixarás. Levantas-te, levantas-me, colocas a tua mão no meu queixo fazendo com que eu te olhe nos olhos. " Dás-me autorização?" Desculpa?! E beijas-me! Abraço-te e ficamos ali, imóveis. Chega a hora de partir, não te quero deixar. Tu olhas-me e pedes-me desculpa. Dizes-me que o futuro será diferente e eu beijo-te sorrindo. Viro-te costas e parto. Até amanha, meu amor!

Sem comentários:

Enviar um comentário

Opinião.