sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Espelho.

Hoje encontrei uma menina, do outro lado do espelho. Ela perguntou "quem és tu?". Eu calei a voz, não respondi. Parece simples, mas aquela dúvida gigante no olhar mudou o meu pensamento. Por momentos, duvidei. Fechei os olhos para que a dúvida não me encontrasse. E encontrei-me. Numa caixa pequenina e bem fechada. Lá estava eu. Frágil mas com um aspecto duro. Parecia feita de ferro. Procurei o meu coração, difícil encontrá-lo. Lá estava ele, doce, delicado. Esse sim era frágil. Abri os olhos para explicar à menina quem eu era. Queres saber quem sou? – comecei. – eu sou alguém que ninguém conhece mas, que, ao mesmo tempo todos conhecem. Sou forte, muito forte mas não sei onde está essa força. Apenas sei que o sou. Sou como tu, menina do espelho, escondo-me atrás de pequenas coisas. Atrás de tudo que não me possa magoar. Procuro o medo e deixo-o avançar mas não o digo a todos. Só há uma pessoa a quem me entrego, só confio tudo a uma pessoa. Sou como tu, menina do espelho, que se esconde e tenta perceber quem os outros são. Mas, ao contrário de ti, eu envolvo-me e magoo-me. Depois, voltei a fechar os olhos. Então, perguntei-lhe “quem sou eu?”. Abri os olhos e vendo-a sorrir ouvi “Tu és uma optima pessoa, isso basta.”. Agradeci e fechei a porta do armário.

1 comentário:

Opinião.