domingo, 24 de abril de 2011

Algo

Ouve-se um som de embalo. A escuridão apodera-se do papel principal. Invade a sala onde te encontras. Com ela, a tristeza. Entra pelo teu corpo e embala-te docemente. Apodera-se, simplesmente. Uma nota mais alta, um doce som que te entra pelo ouvido. Um som que traz frio com ele. Um frio que te faz querer um casaco para vestir. Mas a escuridão proíbe-te. O papel principal ainda é dela. E faz uso dele. Invade a sala de uma forma tortuosa. Abres os olhos, mas a tristeza faz-te chorar. Visão turva. Solidão com um toque de ternura. Ternura com um toque de acidez. Tão simples. É a receita tão certa para um momento tão errado. Liberdade presa. Quarto escuro. Papel secundário. Roxo. Os teus lábios estão roxos. Tens de te aquecer. Um beijo. Doce com toque salgado. Mas quente. Bem quente. Todo o teu corpo aquece. A escuridão ainda vence. Mas o som já tem uma nota mais baixa. O frio já fugiu. Não há solidão mas ainda há ternura. É simples. A receita tão certa para um momento a dois. 

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Opinião.