quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Inspiração.

Questionas o inquestionável. É fácil para ti, não obter respostas. Torna-te mais seguro. Perguntas por razões que não existem. Porque o amor não exige razões. O amor faz-te amar e tu tens medo disso. Então, questionas a existência. Porque ninguém te derrubará. Ninguém te responderá, isso é o certo. E tu não tens medo. Medo tens de te entregar. De deixar, ao ar, o teu coração. Não queres que o vento o leve e o deixe cair nas mãos de um outrem. Perguntas então por seres humanos inexistentes. Vidas humanas que não existem nem nos sonhos de uma criança. Porque tu pedes a perfeição e as crianças são ensinadas, desde pequenas, que a perfeição não existem. Nem elas te poderão responder. É mais fácil para ti, não obter respostas. Não queres que cuidem das feridas do teu coração. Não queres que as borboletas acordem. Não queres ser louco, romântico e sorrir apenas porque o sol brilha e tu podes respirar. Tens medo, sempre tiveste, desde o final daquele dia. Onde ela voou, em espírito, e repouso, em corpo, longe de ti. Agora, tu tens medo de dar a mão e te deixar guiar. Gostas do infinito e do escuro, sem respostas. Mas não gostas do amor nem gostas de amar. E não gostas dos casais, não gostas dos risos e muito menos das gargalhadas estridentes. Mas gostas, gostas de juntar os amigos e fazer festas no escuro. Gostas de pedir silêncio e fazer-lhes perguntas durante horas. Perguntas às quais eles não sabem responder, porque são perguntas inquestionáveis. Tu já não gostas do amor mas gostas que o amor, ainda, te procure. Adoras passar na rua, olhar as rosas vermelhas e comprar uma para lhe levar. E gostas de te sentar, ao lado dela, e conversar até a escuridão se apoderar do dia e te levar de volta a casa. Ainda questionas o inquestionável mas já começas a deixar o coração voar. Porque sabes que ela o levará no caminho certo. Ela, mesmo longe, guia-o até à pessoa que cuidará de ti, da forma como ela o faria. Maravilhosamente. 

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Opinião.